Preparação para Leitura CMADI

Antes de começar, permita-se alguns segundos para sair do automático e perceber o que esta leitura pode trazer para a sua própria experiência.

Permita-se ler em presença.

Enquanto lê, respire e faça uma pausa, por alguns instantes, no que estiver fazendo. Leia cada palavra deste conteúdo com atenção e perceba onde ele se conecta com você, com o seu trabalho e com as experiências que está vivendo. Não é necessário encontrar uma resposta. Apenas perceba o que você reconhece.

Quando o presente começa a construir um futuro que realmente faz sentido

Existe uma diferença importante entre sustentar uma decisão e simplesmente insistir nela.

Sustentar uma decisão exige mais do que vontade. Exige alinhamento interno.

É possível passar anos perseguindo aquilo que um dia fez sentido, sem perceber que, ao longo do caminho, você mudou. A pessoa que imaginou determinada carreira, determinado padrão de vida, determinada relação com o trabalho ou determinado futuro pode não ser exatamente a mesma que está tomando decisões hoje.

E é justamente nessa distância que muitas escolhas começam a perder sustentação.

Quando decido a partir de um alinhamento interno, começo a perceber a diferença entre aquilo que um dia pensei e sonhei realizar e aquilo que realmente faz sentido para quem sou hoje e para quem estou me tornando.

Essa percepção muda a relação com o futuro.

Em vez de construir a vida exclusivamente a partir de uma imagem antecipada — “quando eu tiver isso, vou me sentir assim”, “quando eu morar naquele lugar, minha vida será diferente”, “quando eu trabalhar naquela empresa, finalmente estarei realizado”, “quando eu ganhar determinado valor, tudo fará sentido” — começo a observar o que a experiência presente está efetivamente me mostrando.

O futuro deixa de ser apenas uma projeção.

Ele passa a ser construído pela experiência.

A distância entre o que imaginamos e o que vivemos

Existe uma distância natural entre aquilo que pensamos que queremos realizar e aquilo que, na experiência concreta, demonstra fazer sentido para nós.

O problema não está necessariamente nessa distância.

Ela pode ser justamente uma fonte de percepção.

Quando consigo observá-la, posso descobrir que algo que parecia essencial já não corresponde ao que estou me tornando. Posso perceber que determinadas escolhas foram construídas a partir de referências antigas, expectativas externas, necessidades que já mudaram ou imagens de futuro que nunca chegaram a ser experimentadas de fato.

Quanto mais compreendo essa distância, maior pode ser minha capacidade de agir no presente.

Porque não preciso mais esperar que o futuro confirme uma hipótese.

Posso começar a experimentar.

Em decisões menores.

Em movimentos possíveis.

Em experiências que me permitam perceber, antes de assumir compromissos maiores, se aquilo que imagino realmente encontra correspondência na minha experiência.

É como experimentar o futuro em pequenas doses.

Uma mudança de função antes de uma grande mudança de carreira.

Uma nova forma de organizar o trabalho antes de abandonar completamente uma estrutura.

Uma experiência em determinado ambiente antes de concluir que é naquele lugar que quero viver.

Uma nova forma de trabalhar antes de decidir que preciso mudar toda a minha trajetória profissional.

Essas pequenas experiências não diminuem a ambição de uma decisão.

Elas aumentam a qualidade da percepção que sustenta essa decisão.

Ressignificar o futuro começa por ressignificar o que ainda orienta o presente

Mas existe uma camada anterior a tudo isso.

Se aquilo que já não serve continua influenciando minhas decisões de maneira inconsciente, posso continuar validando escolhas que não correspondem mais a quem sou.

E aqui existe um movimento importante.

Não basta perguntar:

“O que eu quero para o futuro?”

Também preciso perguntar:

“O que ainda está orientando minhas decisões, mesmo que já não faça sentido para mim?”

Porque uma referência antiga pode continuar operando enquanto eu acredito estar escolhendo livremente.

Uma ideia sobre sucesso.

Uma expectativa sobre carreira.

Uma necessidade de reconhecimento.

Uma definição de estabilidade.

Uma imagem sobre o que significa “dar certo”.

Uma crença sobre quanto esforço preciso fazer para merecer determinado resultado.

Uma ideia sobre onde deveria estar em determinada fase da vida.

Se essas referências não forem percebidas e ressignificadas, posso continuar tomando decisões para confirmar uma versão de mim que já não corresponde à pessoa que estou me tornando.

E então a distância aumenta.

De um lado, está aquilo que penso que quero realizar.

Do outro, está aquilo que minha experiência prática começa a mostrar que realmente faz sentido.

Quanto maior essa distância, maior pode ser o esforço necessário para sustentar a direção escolhida.

Sustentação não é permanência

Talvez esse seja um dos pontos mais importantes dessa reflexão.

Sustentar não significa permanecer a qualquer custo.

Sustentar significa conseguir continuar agindo de maneira coerente com aquilo que reconheço como significativo no presente, enquanto construo o futuro.

Isso também muda a forma como olhamos para maturidade decisória.

Maturidade não está apenas na capacidade de tomar grandes decisões.

Está na capacidade de criar condições para que uma decisão possa ser experimentada, observada e ajustada antes que ela se transforme em uma estrutura difícil de modificar.

No trabalho, isso pode significar testar uma nova forma de atuação antes de uma mudança definitiva.

Pode significar observar como você funciona em determinada responsabilidade antes de concluir que aquele é — ou não é — o próximo passo.

Pode significar experimentar uma nova relação com sua agenda, seus limites, sua liderança, sua comunicação ou sua forma de produzir resultados.

A experiência passa a participar da decisão.

E isso cria uma relação diferente com o tempo.

O presente deixa de ser uma espera

Quando o futuro é construído somente pela expectativa, o presente pode se transformar em um intervalo.

A vida fica condicionada ao que ainda não aconteceu:

quando eu chegar lá.

quando eu ganhar mais.

quando eu tiver aquela posição.

quando eu morar naquele lugar.

quando eu conseguir aquela oportunidade.

Mas quando começo a experimentar decisões menores, o presente deixa de ser apenas preparação.

Ele se torna fonte de informação.

Cada experiência pode mostrar alguma coisa.

Pode confirmar.

Pode contradizer.

Pode ampliar.

Pode revelar algo que eu ainda não havia considerado.

E, principalmente, pode aproximar a decisão da pessoa que efetivamente estou me tornando — não apenas daquela que imaginei que deveria ser.

Talvez ressignificar o futuro seja justamente isso:

deixar de construir a vida exclusivamente a partir daquilo que imagino que acontecerá e começar a construí-la a partir daquilo que consigo perceber, experimentar e sustentar agora.

O futuro continua existindo.

Mas ele deixa de ser uma promessa.

Passa a ser uma construção.

E quanto mais alinhamento existe entre quem sou, quem estou me tornando e aquilo que escolho experimentar no presente, menor tende a ser a distância entre a vida que imagino e a vida que efetivamente consigo sustentar.

No fim, talvez a pergunta não seja apenas:

“Que futuro eu quero?”

Mas:

“O que estou vivendo hoje está construindo um futuro que realmente faz sentido para quem estou me tornando?”

É nessa pergunta que a decisão deixa de ser apenas escolha.

E passa a se tornar experiência, percepção e construção.

CONHEÇA NOSSOS PROTOCOLOS

Protocolo Ressignificar o Trabalho

Uma experiência voltada à ressignificação da relação com o trabalho, às escolhas, ao posicionamento profissional e ao desenvolvimento da consciência aplicada nesse contexto.

Conhecer o protocolo →

Conheça a Metodologia CMAD

Conheça a metodologia que fundamenta o trabalho desenvolvido pelo CMADI.

Conhecer a metodologia →