Antes de começar, permita-se alguns segundos para sair do automático e perceber o que esta leitura pode trazer para a sua própria experiência.
Enquanto lê, respire e faça uma pausa, por alguns instantes, no que estiver fazendo. Leia cada palavra deste conteúdo com atenção e perceba onde ele se conecta com você, com o seu trabalho e com as experiências que está vivendo. Não é necessário encontrar uma resposta. Apenas perceba o que você reconhece.

Nem toda transformação acontece no ritmo que desejamos. Amadurecer uma habilidade exige presença para perceber, ajustar e continuar enquanto o processo ainda está acontecendo.
Desenvolver uma habilidade costuma ser associado a aprender alguma coisa nova.
Aprender a liderar. Comunicar melhor. Tomar decisões. Organizar o próprio trabalho. Administrar conflitos. Conduzir uma equipe. Mudar uma forma de agir.
Mas existe uma parte desse desenvolvimento que nem sempre recebe a mesma atenção: aprender a sustentar o processo enquanto você ainda está se transformando.
Porque uma habilidade não se torna madura no momento em que você entende como deveria agir.
Entre perceber uma nova possibilidade e conseguir incorporá-la à própria maneira de agir existe um processo.
E esse processo exige presença.
Nem tudo precisa acontecer mais rápido
Vivemos em uma cultura que frequentemente valoriza velocidade.
Precisamos aprender mais rápido, responder mais rápido, decidir mais rápido, produzir mais rápido e demonstrar resultados rapidamente.
Com isso, podemos acabar acelerando também processos internos que ainda precisariam de tempo para serem integrados.
Você pode compreender intelectualmente que precisa se posicionar melhor e, ainda assim, continuar tendo dificuldade para fazer isso em uma situação real.
Pode entender que precisa delegar e continuar tentando controlar tudo.
Pode perceber que uma determinada forma de trabalhar já não funciona, mas ainda não saber exatamente como agir de outra maneira.
Isso não significa necessariamente que você não aprendeu.
Pode significar que o aprendizado ainda está se tornando experiência.
Desenvolver uma habilidade é também atravessar o intervalo entre saber e conseguir sustentar esse novo modo de agir.
Pensar sobre o processo não é o mesmo que estar presente nele
Existe uma diferença importante entre compreender uma mudança e perceber como você está vivendo essa mudança.
Pensar permite organizar ideias.
A presença permite perceber o que está acontecendo enquanto você passa pelo processo.
Onde estou agora?
O que já consigo fazer de maneira diferente?
O que ainda me exige esforço?
O que estou tentando acelerar?
O que estou evitando perceber?
E, principalmente: como estou escolhendo passar por esse processo?
Essa última pergunta muda a perspectiva.
Porque algumas mudanças dependem diretamente das nossas ações diárias. Outras envolvem acontecimentos, decisões de outras pessoas, circunstâncias e acontecimentos que não estão sob nosso controle.
Em ambos os casos, existe algo que continua sendo nosso campo de escolha: a maneira como nos posicionamos diante do que está acontecendo.
Quando tentar controlar o futuro nos tira do presente
Às vezes, buscamos tanto prever o que vai acontecer que deixamos de perceber o que está acontecendo agora.
Tentamos antecipar todas as possibilidades.
Queremos saber se a decisão vai funcionar antes de experimentá-la.
Queremos garantir o resultado antes de começar.
Queremos controlar as variáveis antes de dar o próximo passo.
E, enquanto fazemos isso, podemos ficar indisponíveis para perceber aquilo que o próprio processo está nos mostrando.
Talvez uma conversa precise ser ajustada.
Talvez uma expectativa precise ser revista.
Talvez uma estratégia não esteja produzindo o efeito esperado.
Talvez uma habilidade ainda precise ser desenvolvida.
Talvez seja necessário mudar a maneira de agir.
Quando estamos excessivamente ocupados tentando controlar o próximo acontecimento, podemos não perceber que o presente já está trazendo informações importantes para o próximo movimento.
Pular etapas também é uma forma de não aprender
A pressa nem sempre aparece como ansiedade evidente.
Às vezes, ela aparece como uma tentativa de chegar logo ao resultado final.
Queremos estar preparados antes de experimentar.
Queremos ter segurança antes de mudar.
Queremos dominar uma habilidade antes de utilizá-la.
Queremos que o processo termine antes de termos aprendido a passar por ele.
Mas pular etapas pode significar justamente não desenvolver aquilo que o processo estava nos convidando a desenvolver.
Pode significar não aprender a lidar com aquilo que não controlamos.
Não aprender a lidar com as expectativas que criamos.
Não aprender a lidar com a frustração quando algo não acontece como gostaríamos.
Não aprender a ajustar uma escolha quando a realidade apresenta uma informação diferente daquela que esperávamos.
E, depois de algum tempo, podemos perceber apenas cansaço, repetição ou sensação de estagnação.
Como se nada dependesse de nós.
Quando, na verdade, talvez ainda não tenhamos aprendido a estar conscientes enquanto atravessamos o processo.
A habilidade também está na maneira como você passa pela mudança
Existe uma diferença entre querer chegar a algum lugar e desenvolver a capacidade de sustentar o caminho até lá.
Uma pessoa pode desejar se tornar uma liderança mais madura, por exemplo, mas o desenvolvimento dessa habilidade também passa pelas situações concretas em que precisa ouvir, decidir, delegar, corrigir, lidar com conflitos e reconhecer que nem sempre terá controle sobre o resultado.
É nesse movimento que a habilidade ganha consistência.
Não porque tudo acontece como planejado.
Mas porque cada experiência pode trazer alguma informação sobre o que precisa ser percebido, ajustado e desenvolvido.
Isso muda também a relação com a frustração.
Uma situação que não aconteceu como você gostaria não precisa ser imediatamente interpretada como fracasso.
Pode ser uma informação.
Uma decisão que precisou ser revista não deixa necessariamente de ser uma experiência de aprendizado.
Pode ser justamente a oportunidade de perceber algo que ainda não estava claro.
Amadurecer é aprender enquanto muda
Talvez desenvolver uma habilidade seja menos parecido com chegar a um estado definitivo e mais parecido com aprender a permanecer presente enquanto novas capacidades vão sendo construídas.
Você percebe.
Experimenta.
Observa.
Ajusta.
Escolhe novamente.
E continua.
Esse movimento exige algo que não pode ser substituído apenas pelo conhecimento: a disposição de estar presente para perceber onde você está e reconhecer o próximo passo possível.
Nem tudo depende de você.
Mas sempre existe alguma coisa que pode ser percebida na maneira como você está passando pelo que acontece.
É aí que o desenvolvimento deixa de ser apenas aquisição de conhecimento e passa a ser amadurecimento.
Porque você não está apenas aprendendo uma habilidade.
Está aprendendo também como sustentar a si mesmo enquanto aprende.
E talvez essa seja uma das partes mais importantes do desenvolvimento profissional: não tentar acelerar o processo até que ele termine, mas aprender a vivê-lo com presença suficiente para reconhecer o que cada etapa está ensinando.
Uma nova percepção
Desenvolver habilidades não significa estar pronto para todas as situações.
Significa ampliar a capacidade de perceber, escolher, agir e ajustar enquanto as situações acontecem.
Talvez você não precise controlar melhor o processo.
Talvez precise estar mais presente nele.
Porque quando você consegue perceber onde está, reconhecer o que está acontecendo e escolher como continuar, até aquilo que não saiu como esperado pode se transformar em aprendizado.
Você não amadurece apenas quando chega a algum lugar. Amadurece também enquanto aprende a passar pelo caminho.
Protocolo Ressignificar o Trabalho
Uma experiência voltada à ressignificação da relação com o trabalho, às escolhas, ao posicionamento profissional e ao desenvolvimento da consciência aplicada nesse contexto.
Conhecer o protocolo →Conheça a Metodologia CMAD
Conheça a metodologia que fundamenta o trabalho desenvolvido pelo CMADI.
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