Preparação para Leitura CMADI

Antes de começar, permita-se alguns segundos para sair do automático e perceber o que esta leitura pode trazer para a sua própria experiência.

Permita-se ler em presença.

Enquanto lê, respire e faça uma pausa, por alguns instantes, no que estiver fazendo. Leia cada palavra deste conteúdo com atenção e perceba onde ele se conecta com você, com o seu trabalho e com as experiências que está vivendo. Não é necessário encontrar uma resposta. Apenas perceba o que você reconhece.

Como perceber que eu reajo antes de escolher o que fazer com aquilo que me acontece?

Existem momentos em que percebemos alguma coisa, mas, antes mesmo de escolher como lidar com aquilo, já reagimos.

Uma fala de alguém.

Um olhar.

Uma crítica.

Uma expectativa que sentimos que não conseguimos atender.

A sensação de estar sendo questionado, invalidado ou de não sermos capazes de fazer aquilo que esperam de nós.

Às vezes, nem conseguimos explicar exatamente o que aconteceu.

Só percebemos que alguma coisa mudou dentro de nós.

Ficamos na defensiva.

Fazemos uma piada.

Mudamos de assunto.

Fingimos que não percebemos.

Tentamos demonstrar que aquilo não nos afeta.

Ou assumimos rapidamente uma posição de “eu me basto”.

No CMAD, eu chamo esse movimento de modo automático de reatividade.

Não porque exista algo errado em reagir.

A reação faz parte da nossa experiência humana.

A questão é perceber quando a reação acontece antes da escolha.


Quando a reatividade se torna automática

Ao longo da nossa formação, vamos aprendendo maneiras de lidar com aquilo que nos causa desconforto.

Aprendemos o que parece seguro.

O que evita conflito.

O que traz aprovação.

O que nos permite permanecer em determinado ambiente.

E também aprendemos, muitas vezes sem perceber, o que fazer quando sentimos que não conseguimos corresponder a uma expectativa.

Se, em algum momento, eu aprendi que demonstrar dificuldade, errar, ser questionado ou frustrar alguém poderia representar uma ameaça à minha segurança ou à minha aceitação, posso começar a desenvolver maneiras automáticas de lidar com essas situações.

Posso ignorar.

Posso racionalizar.

Posso brincar.

Posso mudar de assunto.

Posso tentar demonstrar que não me importo.

Posso me colocar em uma posição de independência antes mesmo de perceber o que realmente está acontecendo comigo.

E isso pode funcionar.

Durante algum tempo, talvez até funcione muito bem.

O problema aparece quando essa mesma maneira de reagir continua sendo utilizada mesmo quando o contexto mudou.


O que estamos tentando proteger?

Talvez essa seja uma pergunta mais interessante do que:

“Por que eu faço isso?”

Podemos perguntar:

“O que acontece comigo quando percebo que alguém não está me vendo como eu gostaria?”

Ou:

“O que eu sinto que preciso proteger nesse momento?”

Porque muitas vezes a reatividade não está relacionada apenas ao que o outro fez.

Ela pode estar relacionada àquilo que aquela situação desperta em mim.

A sensação de não ser suficiente.

De não ter capacidade.

De estar sendo julgado.

De decepcionar.

De perder controle.

De não conseguir atender uma expectativa.

Quando não percebemos isso, podemos acabar gastando muita energia tentando manter a reação ativa.


O custo de permanecer em alerta

Quando o modo de reatividade fica constantemente disponível, é como se uma parte da nossa atenção estivesse sempre procurando aquilo que precisamos evitar.

O que estão pensando?

Será que perceberam?

Será que estão me julgando?

Será que acham que eu não consigo?

Será que estão falando de mim?

Será que eu preciso responder?

E, pouco a pouco, isso pode gerar cansaço.

Não necessariamente porque a situação externa seja tão grande.

Mas porque manter uma reação ativa também exige energia.

E talvez esse seja um dos pontos mais importantes:

nem sempre estamos cansados apenas pelo que estamos fazendo.

Às vezes estamos cansados pelo esforço de sustentar internamente uma maneira de nos proteger.


A oportunidade que existe dentro da reação

Quando começamos a perceber esse movimento, alguma coisa muda.

A situação continua acontecendo.

A outra pessoa continua podendo pensar aquilo que pensa.

A crítica pode continuar existindo.

A expectativa externa pode continuar presente.

Mas surge um espaço.

Entre aquilo que eu percebo e aquilo que eu faço.

É nesse espaço que começa a possibilidade de escolha.

Eu posso perceber:

“Isso me incomodou.”

E, em vez de imediatamente reagir, posso perguntar:

“O que exatamente me incomodou?”

“O que isso despertou em mim?”

“O que estou tentando proteger?”

“Isso ainda precisa ser protegido dessa maneira?”

Esse movimento é muito diferente de simplesmente tentar controlar a reação.

Não se trata de dizer:

“Eu não deveria sentir isso.”

Nem de obrigar a si mesmo a permanecer tranquilo.

Trata-se de perceber antes de escolher.


Desativar o automático não significa deixar de reagir

Talvez essa seja uma distinção importante.

O objetivo não é se tornar uma pessoa que nunca reage.

É poder perceber quando a reação está escolhendo por você.

Quando conseguimos reconhecer o que está acontecendo, começamos a criar espaço para uma escolha mais consciente.

E, aos poucos, aquilo que antes precisava ser protegido automaticamente pode começar a ser compreendido.

É aí que pode surgir amadurecimento.

Porque eu começo a perceber que não preciso responder a tudo aquilo que percebo.

Não preciso provar que não me afeta.

Não preciso ignorar.

Não preciso atacar.

Não preciso fugir.

Posso primeiro compreender.

E então escolher.


Uma pergunta para levar com você

Na próxima vez que alguma situação despertar uma reação imediata, experimente não perguntar primeiro:

“O que eu devo fazer?”

Pergunte:

“O que aconteceu em mim antes de eu decidir o que fazer?”

Talvez exista ali uma informação que você ainda não tinha percebido.

E talvez essa percepção seja justamente o começo de uma nova escolha.

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Uma experiência voltada à ressignificação da relação com o trabalho, às escolhas, ao posicionamento profissional e ao desenvolvimento da consciência aplicada nesse contexto.

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