Antes de começar, permita-se alguns segundos para sair do automático e perceber o que esta leitura pode trazer para a sua própria experiência.
Enquanto lê, respire e faça uma pausa, por alguns instantes, no que estiver fazendo. Leia cada palavra deste conteúdo com atenção e perceba onde ele se conecta com você, com o seu trabalho e com as experiências que está vivendo. Não é necessário encontrar uma resposta. Apenas perceba o que você reconhece.

Fomos ensinados a evitar a queda. Mas experimentar, perceber, escolher e realinhar também fazem parte do desenvolvimento.
Existe uma coisa que talvez não tenhamos aprendido suficientemente:
como levantar.
Desde cedo, somos ensinados a evitar o erro.
Fazer certo.
Escolher certo.
Não cair.
Não fracassar.
Não decepcionar.
Errar muitas vezes aparece como algo que precisa ser evitado, corrigido rapidamente ou, se possível, escondido.
E isso pode produzir uma consequência que nem sempre percebemos.
Quando aprendemos que errar é perigoso, nossa consciência pode começar a evitar não apenas o erro, mas também as experiências que poderiam nos levar até ele.
E essa diferença é importante.
Porque uma vida organizada para não errar pode acabar sendo uma vida organizada para não experimentar.
O que acontece quando experimentar deixa de ser uma possibilidade?
Imagine uma pessoa diante de uma oportunidade profissional.
Ela percebe que poderia tentar uma nova forma de trabalhar, propor uma ideia diferente, assumir uma responsabilidade maior, mudar uma estratégia ou até iniciar um novo projeto.
Mas junto com a possibilidade aparece uma pergunta:
“E se não der certo?”
A partir daí, muitas outras perguntas podem surgir.
E se eu perder dinheiro?
E se as pessoas não aprovarem?
E se eu descobrir que não sou capaz?
E se eu tomar a decisão errada?
E se eu precisar voltar atrás?
A pessoa pode então decidir não fazer.
E, aparentemente, nada deu errado.
Não houve queda.
Não houve fracasso.
Não houve exposição.
Mas também não houve experiência.
E, sem experiência, algumas aprendizagens simplesmente não acontecem.
Não porque a pessoa não tenha capacidade de aprender.
Mas porque ela não se permitiu entrar em situações nas quais precisaria perceber, escolher, agir e depois avaliar o que aconteceu.
Evitar o erro também pode limitar
Existe uma diferença entre responsabilidade e medo de errar.
Ser responsável significa considerar consequências, avaliar riscos, buscar informações e tomar decisões conscientes.
Evitar qualquer possibilidade de erro, por outro lado, pode significar deixar que o medo determine aquilo que estamos dispostos a experimentar.
Essa diferença aparece com frequência no trabalho.
Uma pessoa pode permanecer durante anos fazendo exatamente aquilo que já sabe fazer porque ali existe segurança.
Pode deixar de apresentar uma ideia porque acredita que ainda não está suficientemente preparada.
Pode não assumir uma nova posição porque teme não conseguir corresponder.
Pode permanecer em uma forma de atuação que já não produz desenvolvimento porque mudar exigiria experimentar algo que ainda não domina.
Nesse caso, o problema não é necessariamente falta de capacidade.
Pode existir uma aprendizagem anterior orientando a decisão:
“É melhor não fazer do que correr o risco de errar.”
Só que essa regra, quando aplicada indiscriminadamente, também impede o aprendizado que só acontece quando experimentamos.
Experiência não é garantia de acerto
Talvez tenhamos aprendido a olhar para a experiência de uma maneira muito restrita.
Como se experimentar fosse uma tentativa de chegar imediatamente ao resultado certo.
Mas experiência também pode ser entendida como uma oportunidade de perceber.
Você experimenta uma forma de trabalhar e descobre algo.
Testa uma decisão e percebe uma consequência.
Assume uma responsabilidade e reconhece uma capacidade que ainda não conhecia.
Tenta uma estratégia e identifica o que precisa ser ajustado.
Muda uma postura e percebe como suas relações se transformam.
Nesse processo, nem toda experiência produz o resultado esperado.
E isso não significa necessariamente que ela tenha sido inútil.
Algumas experiências mostram o que funciona.
Outras mostram o que precisa ser modificado.
Outras revelam uma capacidade que ainda precisava ser desenvolvida.
E algumas mostram, justamente, que aquela direção não faz mais sentido.
Experimentar também é aprender a realinhar.
O problema não é cair. É não aprender com a queda.
Realinhar exige algo que nem sempre fomos preparados para fazer: reconhecer que uma escolha precisa ser revista.
Isso pode ser desconfortável.
Porque, quando aprendemos que precisamos acertar, voltar atrás pode parecer uma confirmação de fracasso.
Mas talvez seja possível olhar de outra maneira.
Você tomou uma decisão com os recursos, informações e percepção que tinha naquele momento.
Depois, viveu novas experiências.
Percebeu outras coisas.
Aprendeu.
E agora pode escolher novamente.
Isso não precisa significar que a primeira decisão foi um erro.
Pode significar que você mudou sua percepção sobre ela.
No trabalho, essa capacidade é especialmente importante.
Mercados mudam.
Funções mudam.
Empresas mudam.
Pessoas mudam.
Nós também mudamos.
Por isso, uma trajetória profissional sustentável não depende apenas da capacidade de acertar escolhas. Depende também da capacidade de perceber quando uma escolha precisa ser ajustada.
O que você está evitando para não correr o risco de errar?
Talvez essa seja uma pergunta mais útil do que simplesmente perguntar se você tem medo de errar.
Porque o medo pode não aparecer claramente.
Ele pode aparecer como excesso de preparação.
Como adiamento.
Como necessidade de certeza.
Como busca interminável pela opção perfeita.
Como justificativa para permanecer exatamente onde está.
Como a sensação de que “ainda não é o momento”.
E, enquanto esperamos o momento em que teremos certeza suficiente para agir, podemos deixar de viver experiências que nos ajudariam justamente a construir essa clareza.
Não precisamos transformar toda decisão em um salto.
Também não precisamos ignorar riscos ou agir impulsivamente.
Mas podemos começar a perceber que decidir também envolve experimentar.
E experimentar envolve estar disposto a observar o que acontece depois da escolha.
Talvez crescer também seja aprender a levantar
Desenvolvimento não acontece apenas quando acertamos.
Ele também acontece quando percebemos que algo não funcionou, investigamos o que aconteceu, fazemos ajustes e tentamos novamente de outra forma.
Isso exige uma relação diferente com o erro.
Não uma valorização do erro por si só.
Mas a compreensão de que o erro pode fazer parte de um processo de aprendizagem quando conseguimos percebê-lo e utilizá-lo para realinhar a ação.
Talvez você não precise se tornar alguém que nunca cai.
Talvez precise desenvolver a capacidade de experimentar sem transformar cada tentativa em uma sentença sobre quem você é.
Perceber.
Escolher.
Agir.
Observar.
Realinhar.
E continuar.
Porque experiência não é apenas aquilo que acontece conosco.
Experiência é a possibilidade de perceber, escolher e agir diante daquilo que acontece.
E talvez exista uma pergunta importante para levar para o trabalho:
O que você está deixando de experimentar porque aprendeu que errar não é uma possibilidade?
Talvez a próxima etapa do seu desenvolvimento não esteja em acertar mais.
Talvez esteja em se permitir experimentar o suficiente para aprender.
Protocolo Ressignificar o Trabalho
Uma experiência voltada à ressignificação da relação com o trabalho, às escolhas, ao posicionamento profissional e ao desenvolvimento da consciência aplicada nesse contexto.
Conhecer o protocolo →Conheça a Metodologia CMAD
Conheça a metodologia que fundamenta o trabalho desenvolvido pelo CMADI.
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