Antes de começar, permita-se alguns segundos para sair do automático e perceber o que esta leitura pode trazer para a sua própria experiência.
Enquanto lê, respire e faça uma pausa, por alguns instantes, no que estiver fazendo. Leia cada palavra deste conteúdo com atenção e perceba onde ele se conecta com você, com o seu trabalho e com as experiências que está vivendo. Não é necessário encontrar uma resposta. Apenas perceba o que você reconhece.

Nem tudo aquilo que queremos permanece fazendo sentido ao longo da vida.
Há decisões que um dia foram importantes, necessárias ou até fundamentais para quem éramos naquele momento. Permanecemos nelas porque fizeram sentido, porque nos trouxeram segurança ou porque representaram uma escolha possível diante das condições que tínhamos.
Mas a vida muda.
Nós mudamos.
O contexto muda.
E aquilo que antes estava alinhado pode deixar de estar.
O discernimento começa justamente quando conseguimos reconhecer essa diferença.
Muitas vezes, porém, não permanecemos em determinadas situações porque ainda escolhemos estar nelas.
Permanecemos porque não conseguimos perceber com clareza que alguma coisa dentro de nós já mudou.
Podemos continuar em um trabalho, em uma função, em uma relação profissional, em uma forma de organizar a vida ou em determinados comportamentos simplesmente porque não paramos para observar se aquilo ainda corresponde ao que estamos nos tornando.
Quando essa percepção não acontece, a sustentação interna das decisões começa a enfraquecer.
Podemos perceber falta de entusiasmo, redução da criatividade, sensação de estagnação ou dificuldade para saber qual deveria ser o próximo movimento.
E é importante diferenciar isso de uma simples falta de resiliência.
Nem sempre precisamos insistir mais.
Às vezes, precisamos perceber melhor.
Existe uma diferença importante entre não ter força para continuar e perceber que a direção escolhida já não corresponde ao lugar que estamos ocupando na vida.
Nem sempre o problema está no trabalho
Essa percepção também pode transformar a maneira como observamos nossa relação com o trabalho.
Quando alguma coisa não está funcionando, é comum procurarmos imediatamente uma explicação no ambiente externo.
Pode ser o trabalho.
Pode ser a empresa.
Pode ser a função.
Pode ser a remuneração.
Pode ser a falta de oportunidades.
E, muitas vezes, essas condições realmente precisam ser observadas.
Mas existe outra possibilidade que também merece atenção:
nem sempre o problema está no trabalho.
Às vezes, temos dificuldade para sustentar internamente nossos próprios processos.
E quando isso acontece, nossas decisões começam a carregar elementos que não estão necessariamente relacionados ao que estamos vivendo hoje.
Podemos continuar tomando decisões a partir de experiências anteriores.
Experiências que foram necessárias.
Comportamentos que um dia nos ajudaram a buscar segurança.
Formas de agir que fizeram sentido em determinado contexto.
Escolhas que foram validadas por nós em algum momento da vida.
O problema não está necessariamente no fato de essas decisões terem existido.
O ponto é perceber se elas ainda fazem sentido hoje.
Porque uma decisão pode ter sido adequada para quem éramos e, ainda assim, não estar mais alinhada com quem estamos nos tornando.
Quando o passado continua participando das decisões atuais
É possível carregar para o presente formas de decidir que foram construídas em outros momentos.
Podemos buscar reconhecimento.
Podemos precisar de validação.
Podemos temer o futuro.
Podemos procurar segurança antes de agir.
Podemos evitar determinadas decisões porque, em algum momento, aprendemos que decidir poderia representar risco.
Esses comportamentos nem sempre aparecem de maneira evidente.
Muitas vezes, eles se manifestam simplesmente como escolhas que fazemos todos os dias.
Escolhas que parecem normais.
Escolhas que já foram validadas.
Escolhas que não questionamos mais.
E é justamente aí que o discernimento se torna importante.
Não para julgar o passado.
Não para procurar culpados.
Mas para perceber se aquilo que um dia foi necessário continua sendo necessário agora.
O trabalho e os recursos que ele produz
Existe um campo em que essa percepção pode se tornar especialmente concreta: a maneira como utilizamos os recursos financeiros que advêm do nosso trabalho.
Quando percebemos dificuldades financeiras, podemos concluir que o problema está apenas na quantidade de dinheiro que ganhamos.
Essa pode ser uma parte da realidade.
Mas não necessariamente é toda a realidade.
Também podemos observar como estamos tomando decisões com os recursos que já temos.
Como distribuímos esses recursos.
O que priorizamos.
O que adiamos.
O que compensamos.
O que mantemos.
O que evitamos.
O que fazemos automaticamente.
E o que escolhemos conscientemente.
Porque os recursos financeiros não existem separados das decisões que tomamos.
O dinheiro que advém do trabalho entra na nossa vida e passa a ser direcionado por escolhas.
E essas escolhas podem revelar muito sobre aquilo que estamos sustentando internamente.
Quando existe um desalinhamento
Talvez uma pessoa esteja trabalhando, produzindo e gerando recursos, mas ainda assim perceba dificuldade para construir a sustentabilidade que deseja.
Nesse caso, pode ser importante olhar além do quanto ela ganha.
Pode ser importante observar como ela decide utilizar aquilo que ganha.
Porque pode existir um desalinhamento entre quem ela é hoje e a maneira como seus recursos estão sendo direcionados.
Talvez seus recursos estejam sendo utilizados para sustentar comportamentos que já não correspondem ao que ela valoriza.
Talvez estejam sendo distribuídos de uma maneira diferente daquela que considera importante.
Talvez algumas decisões estejam acontecendo automaticamente.
Talvez exista uma necessidade de segurança, reconhecimento ou compensação participando dessas escolhas.
E talvez a pessoa ainda não tenha percebido isso.
Não significa que exista uma resposta única.
Significa que existe algo que pode ser observado.
Perceber antes de mudar
Quando percebemos um desalinhamento, a primeira reação pode ser querer mudar.
Mudar o trabalho.
Mudar a forma de gastar.
Mudar uma decisão.
Mudar uma relação.
Mudar uma direção.
Mas a mudança consciente não precisa começar pela ação.
Pode começar pela percepção.
Antes de perguntar:
“O que eu preciso mudar?”
talvez seja necessário perguntar:
“Como estou tomando essa decisão?”
Essa pergunta muda o lugar de onde observamos nossa própria vida.
Porque não estamos olhando apenas para o resultado.
Estamos olhando para o processo que produz o resultado.
Como decido?
O que influencia minha decisão?
O que estou tentando proteger?
O que estou tentando evitar?
O que estou tentando sustentar?
O que já não corresponde a quem sou?
E o que estou construindo a partir dessas escolhas?
O que isso tem a ver com prosperidade?
Prosperar não está relacionado apenas a produzir mais recursos.
Também envolve a capacidade de direcionar os recursos que produzimos de maneira coerente com aquilo que estamos construindo.
Isso exige percepção.
Porque podemos aumentar nossa capacidade de gerar recursos e, ainda assim, continuar tomando decisões que produzem desalinhamento.
Podemos ganhar mais e continuar repetindo comportamentos antigos.
Podemos trabalhar mais e continuar utilizando os recursos de uma maneira que não sustenta aquilo que consideramos importante.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas:
“Quanto eu estou ganhando?”
Mas também:
“Como estou decidindo o que fazer com aquilo que o meu trabalho produz?”
E, ainda mais profundamente:
“Essas decisões correspondem a quem eu sou hoje e a quem estou me tornando?”
Dar-se permissão para perceber
Não precisamos perceber tudo de uma vez.
Também não precisamos encontrar imediatamente a origem de cada comportamento.
Existe um limite importante nessa investigação:
perceber dentro do que damos conta para este momento.
Talvez uma pessoa consiga perceber apenas uma escolha.
Talvez perceba um padrão.
Talvez perceba uma forma automática de utilizar seus recursos.
Talvez perceba uma decisão que já não faz sentido.
Talvez perceba apenas que existe uma distância entre aquilo que considera importante e aquilo que está fazendo.
Isso já pode ser suficiente para começar.
Porque quando uma decisão que antes passava despercebida se torna consciente, abre-se um espaço para observá-la novamente.
E, nesse espaço, percepção, razão e ação podem voltar a se aproximar.
O que permanece e o que precisa ser revisto
Discernimento não significa retirar tudo.
Também não significa considerar erradas todas as decisões do passado.
Algumas decisões continuam fazendo sentido.
Alguns comportamentos continuam sendo necessários.
Alguns recursos precisam continuar sendo direcionados para aquilo que sustenta nossa vida.
O discernimento está justamente em conseguir diferenciar.
Perceber o que permanece.
Perceber o que precisa ser revisto.
Perceber o que deixou de fazer sentido.
E perceber aquilo que ainda não conseguimos compreender completamente.
Essa percepção devolve à pessoa a possibilidade de participar conscientemente das próprias decisões.
Inclusive das decisões financeiras.
Inclusive da maneira como utiliza aquilo que seu trabalho produz.
Antes de decidir, perceber
Talvez você esteja vivendo um momento em que alguma coisa parece não avançar.
Talvez esteja sentindo falta de entusiasmo.
Talvez esteja trabalhando, produzindo e ainda assim percebendo dificuldade para construir a sustentabilidade que deseja.
Talvez esteja questionando o trabalho.
Ou talvez o trabalho seja apenas o lugar onde uma questão mais profunda está aparecendo.
Pode ser o momento de observar como você está tomando suas decisões.
Não apenas as grandes decisões.
As decisões diárias.
Aquelas que parecem pequenas.
Aquelas que você já validou muitas vezes.
Aquelas que acontecem quase sem que você perceba.
Principalmente quando envolvem os recursos financeiros que advêm do seu trabalho.
Porque talvez aquilo que precisa ser revisto não esteja apenas fora.
Pode existir uma parte da resposta na maneira como você está decidindo.
E perceber isso não significa precisar mudar tudo.
Significa apenas permitir que aquilo que estava inconsciente possa se tornar consciente.
Para que você possa observar.
Discernir.
E, então, escolher.
É a partir dessa percepção que uma decisão pode voltar a fazer sentido.
Ou pode finalmente ser reconhecida como uma decisão que já cumpriu seu ciclo.
E quando isso acontece, a mudança deixa de ser apenas uma reação ao desconforto.
Ela pode se tornar uma escolha consciente, alinhada com quem você é e com quem está se tornando.
Protocolo Ressignificar o Trabalho
Uma experiência voltada à ressignificação da relação com o trabalho, às escolhas, ao posicionamento profissional e ao desenvolvimento da consciência aplicada nesse contexto.
Conhecer o protocolo →Conheça a Metodologia CMAD
Conheça a metodologia que fundamenta o trabalho desenvolvido pelo CMADI.
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