Antes de começar, permita-se alguns segundos para sair do automático e perceber o que esta leitura pode trazer para a sua própria experiência.
Enquanto lê, respire e faça uma pausa, por alguns instantes, no que estiver fazendo. Leia cada palavra deste conteúdo com atenção e perceba onde ele se conecta com você, com o seu trabalho e com as experiências que está vivendo. Não é necessário encontrar uma resposta. Apenas perceba o que você reconhece.

Quando pensamos em realizar alguma coisa, é comum começarmos pela ação.
O que eu preciso fazer?
Qual é o próximo passo?
Quanto tempo vai levar?
Que recursos preciso?
Como vou conseguir chegar ao resultado que quero?
Mas existe uma questão anterior à ação que pode mudar completamente a maneira como percebemos nossas decisões:
o que precisa existir em mim para que eu consiga sustentar aquilo que decidi realizar?
Porque decidir alguma coisa é diferente de conseguir mantê-la em movimento.
Podemos ter uma ideia muito clara, saber racionalmente o que queremos e até começar a agir com bastante disposição. Mas, depois de algum tempo, aquela decisão perde força.
A ação deixa de acontecer.
O entusiasmo diminui.
Surgem dificuldades.
Outras prioridades aparecem.
E aquilo que parecia tão importante no início começa a perder espaço.
Talvez, em alguns casos, o problema não esteja na decisão.
Talvez esteja naquilo que ainda não desenvolvemos em nós para sustentá-la.
A ação começa antes da ação
Existe uma parte da sustentação que acontece antes do comportamento visível.
Antes de executar uma tarefa, assumir uma posição, mudar uma rotina ou conduzir um projeto, existe uma movimentação interior.
O que eu percebo?
O que faz sentido para mim?
O que realmente me move?
O que acredito que consigo sustentar?
O que estou disposto a aprender para realizar isso?
Essas perguntas podem parecer distantes da ação prática, mas participam diretamente dela.
Porque aquilo que conseguimos sustentar externamente depende, em alguma medida, daquilo que conseguimos organizar e movimentar internamente.
É possível pensar que precisamos apenas de disciplina.
Ou de mais força de vontade.
Ou de uma estratégia melhor.
Mas talvez exista algo anterior:
eu estou alinhado com aquilo que decidi realizar?
Não apenas no pensamento.
Mas na percepção.
Na disposição.
Na capacidade de aprender.
Na disponibilidade para atravessar aquilo que ainda não sei fazer.
Quando o que queremos está fora de nós
Existe também uma diferença importante entre querer alguma coisa e encontrar sentido em realizá-la.
Podemos desejar um resultado porque acreditamos que ele vai trazer aprovação.
Porque queremos reconhecimento.
Porque esperamos uma consequência financeira.
Porque queremos superar alguém.
Porque desejamos provar nossa capacidade.
Porque imaginamos que, depois daquele resultado, alguma coisa dentro de nós finalmente estará resolvida.
Esses motivos podem movimentar uma ação.
Mas podem não ser suficientes para sustentá-la.
Quando o sentido daquilo que fazemos depende principalmente do que está fora de nós, a ação pode ficar condicionada à resposta do ambiente.
Se o reconhecimento não vem, perdemos força.
Se o resultado demora, questionamos a decisão.
Se o outro não responde como esperávamos, diminuímos nosso movimento.
Se o retorno financeiro não aparece imediatamente, podemos concluir que aquilo não vale mais a pena.
Nesse momento, pode ser interessante perguntar:
o que realmente está me movendo a realizar isso?
Não para encontrar uma resposta perfeita.
Mas para perceber.
O que ainda não aprendemos a sustentar
Às vezes, aquilo que chamamos de falta de capacidade pode ser algo diferente.
Podemos acreditar:
“Eu não consigo.”
“Não tenho condições.”
“Não tenho estrutura.”
“Não tenho tempo.”
“Isso não é para mim.”
Em algumas situações, essas condições são reais e precisam ser consideradas.
Mas existe outra possibilidade que merece ser observada:
talvez eu ainda não tenha desenvolvido em mim a capacidade necessária para utilizar aquilo que já tenho.
Isso muda a pergunta.
Em vez de apenas perguntar:
“O que está faltando para eu conseguir?”
podemos começar a perguntar:
“O que preciso desenvolver em mim para conseguir utilizar melhor o que já está disponível?”
Essa percepção desloca o foco da falta para o desenvolvimento.
E desenvolvimento exige tempo.
Exige treino.
Exige disponibilidade para aprender.
Exige reconhecer que ainda não sabemos.
Sustentar também é aprender
Existe uma expectativa de que, depois de tomar uma decisão, deveríamos conseguir realizá-la.
Mas talvez seja justamente durante a realização que desenvolvemos aquilo que precisamos para sustentá-la.
Você começa pequeno.
Experimenta.
Percebe uma dificuldade.
Aprende.
Ajusta.
Tenta novamente.
Percebe outra coisa.
Desenvolve uma habilidade.
E continua.
Por isso, sustentação não significa manter uma ação exatamente da mesma maneira durante todo o tempo.
Sustentar pode significar continuar comprometido com aquilo que faz sentido enquanto aprende a encontrar maneiras melhores de realizá-lo.
Isso exige resiliência.
Mas não necessariamente aquela resiliência entendida como simplesmente suportar tudo.
É uma capacidade de permanecer em movimento enquanto você continua desenvolvendo as condições necessárias para esse movimento.
Começar pequeno também é uma forma de sustentação
Quando uma decisão exige mais do que conseguimos sustentar naquele momento, podemos tentar compensar essa diferença com esforço.
Durante algum tempo, funciona.
Depois, cansa.
Talvez seja por isso que pequenas ações tenham tanta importância.
Não porque devemos pensar pequeno.
Mas porque uma ação pequena que conseguimos sustentar pode desenvolver a capacidade necessária para uma ação maior.
É uma forma de treinamento.
Você aprende a cumprir o que combinou consigo.
Aprende a perceber seus limites.
Aprende a organizar sua energia.
Aprende a reconhecer quando precisa ajustar o caminho.
Aprende a continuar sem precisar transformar cada dificuldade em uma prova de incapacidade.
E, enquanto a vida acontece, você desenvolve as habilidades que precisará para sustentar decisões cada vez maiores.
A sustentação não está apenas no resultado
Talvez essa seja uma das percepções mais importantes deste ciclo.
Se realizamos alguma coisa apenas pelo resultado que ela promete, podemos dedicar tempo, energia e recursos a uma construção que, depois de concretizada, deixa de fazer sentido.
Porque o resultado era o objetivo.
Mas quando uma realização também participa do nosso desenvolvimento consciente, aquilo que aprendemos durante o caminho permanece.
Você não está apenas tentando chegar a algum lugar.
Está desenvolvendo em si aquilo que precisa para conseguir sustentar novos lugares.
Uma decisão maior exige uma capacidade maior de sustentação.
E essa capacidade não aparece pronta no momento da decisão.
Ela é desenvolvida no percurso.
Antes de decidir apenas racionalmente
Talvez, então, antes de perguntar:
“O que eu devo fazer?”
possamos começar um pouco antes.
O que eu quero realizar?
Por que isso faz sentido para mim?
O que acredito que consigo sustentar neste momento?
O que ainda preciso desenvolver em mim?
Qual é a menor ação que posso começar a sustentar agora?
Essas perguntas não existem para produzir uma resposta racional perfeita.
Elas existem para aproximar pensamento, percepção e ação.
Porque quando aquilo que você pensa, aquilo que percebe e aquilo que movimenta em suas ações começam a encontrar alinhamento, a sustentação deixa de depender apenas de esforço.
Ela passa a ser construída.
E talvez seja justamente isso que o ciclo de Sustentação nos convida a perceber:
você desenvolve a capacidade de sustentar enquanto aprende a realizar.
Não é necessário ter tudo pronto para começar.
Mas é necessário estar disposto a perceber o que ainda precisa ser desenvolvido em você para continuar.
Protocolo Ressignificar o Trabalho
Uma experiência voltada à ressignificação da relação com o trabalho, às escolhas, ao posicionamento profissional e ao desenvolvimento da consciência aplicada nesse contexto.
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Conheça a metodologia que fundamenta o trabalho desenvolvido pelo CMADI.
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